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A volta dos brasileiros, o mercado e Giba PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Sex, 09 de Janeiro de 2009 15:43

Conversamos com Jorge Assef, empresário responsável por contratos dos maiores jogadores do Vôlei nacional, que nos conta como aconteceram as atuais mudanças no mercado brasileiro, com a volta de vários jogadores para disputar a Liga Nacional, além de suas opiniões sobre a seleção e seu maior craque, Giba.


HS: A que você atribui essa volta de jogadores para o mercado brasileiro?

 JA: Mudou a fórmula de disputa da Superliga, o Dr Ary Graça, presidente da CBV, resolveu “brigar” com todo mundo, no bom sentido, e apostar na rede Globo, atendendo todas as exigências da emissora. Muita gente foi contra, mas ele insistiu que, por se tratar de uma grande emissora, valeria a pena o sacrifício de ceder às suas exigências.

 Isso fez com que os patrocinadores que já existiam, (se você reparar, não entrou nenhum patrocinador novo), resolvessem investir mais dinheiro, pelo retorno que isso gerou, a ponto de ter surgido uma boa proposta para o Giba, e terem conseguido manter a Paula no Brasil, mesmo com boas propostas do exterior.

 Os jogadores que voltaram para o Brasil tiveram propostas cada vez mais parecidas com as que recebiam dos times da Europa. Os que não voltaram, tomaram esta decisão por conta de compromissos contratuais e prazos.

 

HS: E você acredita que esta tendência deve continuar nas próximas temporadas?

 
JA: Se o cenário não mudar, sim. Se tivermos transmissões ao-vivo por TV aberta, e se o formato de disputa não mudar, o retorno para os patrocinadores será cada vez melhor, possibilitando novas verbas para os patrocínios no esporte. A tendência é que continue assim, torcemos para que continue este processo que foi muito importante para aquecer o mercado brasileiro.

 HS: E a vontade de jogar no Brasil pesa na decisão de voltar, não é?

 
JA: Não é bem isso, não haveria esta vontade de voltar, caso não houvesse uma competição boa como temos hoje. Certamente, as Superliga masculina e feminina, devem estar entre as 4 melhores competições do mundo. Então hoje o atleta está profissionalmente bem colocado jogando aqui.

 HS: Mas jogar em casa, perto da família, não pesa na negociação?

 
JA: Não exatamente, o atleta atua no lugar que lhe oferece as melhores condições. Claro que, jogar no Brasil é mais confortável para o atleta, mas isso fica em segundo plano, porque em primeiro lugar está o seu profissionalismo.

 HS: As recentes medidas internacionais de limitar o número de jogadores estrangeiros propostas pela FIVB, influenciaram de alguma forma esta volta de jogadores para o Brasil?

 JA: Não, pelo menos para os jogadores “top” isso não tem efeito. Jogador “top” joga em qualquer lugar. Se essa lei chegar ao extremo e um time puder contratar apenas 2 estrangeiros, por exemplo, certamente os brasileiros serão os mais concorridos,  por que hoje temos o melhor voleibol do mundo, principalmente no masculino. Agora, para os jogadores “medianos”, esta medida tem mais efeito, por que para eles haverá menos espaço.

 Na minha opinião, esta medida não beneficia o mercado, ela pode, e eu discordo muito com isso, vir a beneficiar a renovação de algumas seleções européias.

Mas se você analisar a seleção brasileira, quando os jogadores foram atuar no exterior, tivemos o surgimento de uma nova geração aqui. Então acredito que o caminho é o planejamento e investimento, que é o que a CBV vem fazendo, e se as outras confederações fizessem o mesmo, teriam bons resultados também.

 Limitar o mercado nunca é a melhor solução, prejudicar algo bom para tentar “consertar” alguma coisa nunca é a solução. Vivemos em um livre comércio e com liberdade de ir e vir, hoje em dia uma restrição destas não faz sentido. Por fim, não concordo com regras restritivas.

 

HS: Falando do vôlei masculino, tivemos uma geração que conquistou muitos títulos e que agora começa a viver um período de renovação, em sua opinião teremos uma nova geração à altura?

 
JA: Esta geração, que começou no mundial da Argentina e desde então conquistou tudo até aqui, está realmente chegando ao fim, mas se você ver, a base do time é a mesma, mas algumas peças já estão sendo alteradas aos poucos. O levantador Marcelo, por exemplo, era o terceiro levantador da equipe, no começo da formação deste time, tínhamos o Maurício, em seguida o Ricardinho e agora chegou a vez dele, e já temos o Bruno como opção na reserva, que já está se preparando. Outros exemplo são o Murilo e o Marlon, que não estavam no grupo no começo, e hoje são realidade dentro da seleção, portanto já não é de hoje que começou uma renovação.

 Se esta nova geração vai ser tão boa quanto a atual, não temos como saber, temos que esperar os resultados. Os jogadores são bons o suficiente para substituir os atuais e estão mostrando isso, vencendo seleções internacionais.

O diferencial é que, no futebol, estamos esperando um novo Pelé há muito tempo, talvez no dia em que o Giba parar, tenhamos o mesmo problema. O Giba é o jogador mais completo que o Brasil já teve.

 

HS: Então o Giba é o nosso Pelé no vôlei?


 JA: É muito similar sim, por que nós sempre o teremos como referência depois que ele parar, cada novo jogador que mostrar talento vamos pensar: “será esse o novo Giba”? Mas o Giba ainda tem um bom tempo para jogar, não acredito que ele pare tão cedo.

 

Contatos

Contato: Jorge Assef Contato: Roberto Assef Contato: Gilmar Teixeira (KID) - Volei e Basquete
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