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Passado campeão 'atrapalha' time de Ricardinho e Gustavo, avalia Renan PDF Imprimir E-mail
Qua, 04 de Fevereiro de 2009 19:41
Em novembro do ano passado, o técnico brasileiro Renan Dal Zotto foi demitido do Sisley Treviso, de Ricardinho e Gustavo, onde estava havia duas temporadas, devido à campanha irregular do time no Campeonato Italiano. Passados dois meses do caso, o treinador, que está de volta ao Brasil para assumir um cargo diretivo na Cimed, falou com exclusividade ao UOL Esporte sobre o fim de seu trabalho na Itália.

Treinador de sucesso, o brasileiro admitiu que não se adaptou ao estilo da direção do Treviso, acostumada a interferir em todas as decisões da comissão técnica.

"Tive os meus senões. A gente aqui no Brasil trabalha em cima de algumas bases. Lá eu cheguei numa estrutura bem diferente", contou Renan à reportagem. "Sempre fui eu que dei as diretrizes, e lá era o clube que queria definir, com muitas interferências. Havia um conflito na filosofia de trabalho, houve um choque de cultura mesmo".

A demissão do gaúcho, porém, não foi a salvação que o Treviso buscava, ao contrário. Com a saída de Renan e a chegada do italiano Francesco Dall'Olio, o time despencou da terceira para a sétima colocação. "Ali, o tempo é que vai dizer qual o problema. Se eu soubesse, teria resolvido", afirmou, eximindo de culpa seu colega.

Na opinião de Renan, o passado recente do Treviso, repleto de conquistas, tem sido o principal vilão da equipe, por mais contraditório que pareça. Só nesta década, o time foi campeão italiano cinco vezes (2001, 2003, 2004, 2005 e 2007), além de ter conquistado três Copas da Itália e uma Liga dos Campeões, entre outros títulos. Por isso, os dirigentes insistem em não mexer no elenco. "O sucesso de hoje não garante o sucesso de ontem", contesta o técnico brasileiro.

Renan também aponta a idade dos jogadores titulares como um dos principais problemas do clube. O time base do Treviso conta com sete jogadores renomados, todos de seleção, mas a idade média deste grupo é de 32 anos.

"São jogadores que já deram muito para o vôlei, mas hoje o time está precisando de algo mais, precisa de um estalo", sinalizou o técnico, lembrando ainda que o banco de reservas da equipe é formado por atletas muito novos (média de 24 anos). "É um grupo muito veterano em quadra, mas fora é muito jovem".

Dos sete titulares (incluindo o líbero Farina), apenas Ricardinho chegou para a atual temporada, todos os demais já estavam no time campeão de anos anteriores. Ainda assim, Renan nega que o levantador brasileiro tenha provocado qualquer tipo de clima ruim dentro do elenco.

"Não tenho nada para falar do Ricardo. Mas ali é complicado dizer. Faltam peças mesmo", resumiu o técnico, rechaçando ainda um problema entre Ricardinho e Gustavo, que não se falavam desde julho de 2007, quando o levantador foi cortado da seleção brasileira pelo técnico Bernardinho e rompeu relações com os demais jogadores do combinado, entre eles o meio-de-rede.
 

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