|
Melhor jogadora das Olimpíadas de Pequim, Paula Pequeno vive um momento especial na carreira. Após 11 anos no Osasco e inúmeras propostas do exterior recusadas, a jogadora encara a sua primeira temporada fora do país, defendendo o Zarechie Odintsovo, na distante Rússia.
O começo foi de dificuldades, especialmente devido à língua e à saudade da família - devido a compromissos com a Liga Nacional de handebol, o marido de Paula, Alexandre Folhas, só pôde desembarcar na Rússia com a filha Mel no último dia 30 de dezembro.
"Por estar longe da minha família, este foi um dos Natais mais difíceis da minha vida", confessou a atleta, em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.Net. "Mas o Léo Mineiro (jogador brasileiro do Iskra Odintsovo) e a namorada dele me ajudaram muito", contou.
"O que mais me chocou no começo foi a quantidade de neve e a oscilação de temperatura", continuou Paula, que atualmente tem encarado temperatudas de até 25°C negativos no novo país. "Mas, na verdade, você só sente frio quando está na rua porque a calefação é muito bem feita aqui. Então, hotéis e restaurantes são bem quentes. Quando precisa treinar, dá para ficar bem só com shorts e camiseta no ginásio", garante a jogadora, que, já acostumada, diz considerar o frio "até bonito".
Rotina puxada na Rùssia Apesar de os treinamentos na Rússia serem menos intensivos que no Brasil, o que provocou um pedido do técnico José Roberto Guimarães para que Paula tomasse atenção especial com a musculação, a jogadora tem uma rotina puxada no exterior.
"De ponto turístico, até agora só conseguir ir à Praça Vermelha e ao Kremlin (que ficam uma ao lado da outra). É muito lindo lá", contou a jogadora, que também não tem acompanhado o voleibol brasileiro. "Só vi o resultado do Paulista e soube por alto que o Sollys/Osasco ganhou do São Caetano", afirmou, para em seguida perguntar à reportagem como estava a Superliga
Quem tem cuidado das atividades de Paula na Rússia é o seu marido, Alexandre Folhas, que interrompeu a carreira no handebol para se mudar de país. Um dos principais nomes da modalidade no país, o jogador defendeu a seleção brasileira por 12 anos
"Tenho uma empresa de marketing esportivo, a MVP Sports, que nasceu das coisas da Paula e hoje também conta com a Adenízia (central do Osasco e da seleção). Trabalhamos com publicidade, assessoria de imprensa e junto com isso desenvolvimento de sites esportivos", contou.
Com a família ao lado, Paula teve um Reveillon muito mais satisfatório, passado junto com os compatriotas em uma confraternização no país, incluindo Walewska, também campeã olímpica em Pequim e companheira de Zarechie Odintsovo.
"O bom de conversar com a Walewska é mais pela língua, para poder falar português", comenta Paula. De acordo com ela, somente duas jogadoras do time falam inglês, o que a obrigou a aprender um pouco de russo. "Já aprendi algumas palavras e consigo me fazer entender, mesmo com o técnico, que arranha um inglês e um pouco de espanhol", contou.
Nas ruas, as dificuldades causadas pelo estranho idioma também se fizeram presentes. "Isso é uma das coisas mais difíceis para mim, pois as pessoas não falam quase nada de inglês. Mas com mímica você vai se virando", diverte-se a jogadora, que nem de longe enfrenta o mesmo assédio dos fãs que sofre quando está em terras nacionais. "Eu fui bem recebida, mas da maneira que tinha que ser, sem estardalhaço, até porque estou começando uma nova fase da minha carreira e quero manter os pés no chão", destacou.
O começo de Paula no Odintsovo, aliás, não foi nada fácil: o time perdeu as três primeiras partida da Copa dos Campeões, torneio mais importante da Europa, além de ter ficado com o vice na Copa da Rússia.
"Era difícil de dizer o que estava acontecendo, pois tinha acabado de chegar. O time oscila muito, mas está com a expectativa de se recuperar", explica a atleta, lembrando que, apesar das dificuldades, o Odintsovo conseguiu três vitorias na competição continental e se garantiu na próxima fase.
Questionada sobre o "Jogo das Estrelas" local, Paula não esconde a satisfação de ter sido dirigida pelo lendário russo Nikolay Karpol, apesar da derrota por 3 sets a 0 - o vitorioso treinador ficou mundialmente famoso pelas homéricas broncas que dava nas jogadoras da seleção russa, que chegavam a chorar após conversar com o campeão olímpico de 1980 e 1988, membro do Hall da Fama do vôlei.
"Foi uma experiência muito legal, foi muito bacana ser dirigida por um técnico como ele", comentou Paula, que garante não ter tomado nenhuma bronca de Karpol. "Ele foi muito tranquilo, até porque aquele jogo não teve nenhum peso competitivo", destacou.
Com a proximidade das russas, Paula quer aproveitar a oportunidade para trazer diversas informações ao técnico José Roberto Guimarães, que no segundo semetre vai comandar a seleção brasileira no Campeonato Mundial, único título de expressão que o Brasil ainda não possui. "Ele não me pediu isso, mas essa função já está dentro de mim. Estou de olho nelas", assegura a ponteira, sonhando com mais uma taça na vitoriosa carreira.
|